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05/10/2010 / Ana

Entrevista: Carine Roitfeld

Com os 90 anos da Vogue a vida da editora da revista francesa Carine Roitfeld tem sido bem movimentada. O baile de máscaras já foi conferido por muita gente e algumas fotos da edição comemorativa também. Em meio aos desfiles, às comemorações e edições, a editora deu uma entrevista, recentemente, ao New York Times, onde ela fala sobre a revista, desfiles e seus planos para o futuro.

New York Times: Como você se sente com os 90 anos da revista?
Carine Roitfeld: Durante todo esse tempo, nós não mudamos o astral da revista. Ainda é muito audaciosa. Ainda tem a ver com beleza, com excesso. E ainda é muito avant-garde. Quando começamos a pesquisa para essa edição, descobrimos essa mesma atmosfera no passado e ficamos muito felizes que ainda nos parecemos com a Vogue icônica de Helmut Newton e Guy Bourdin. Mas o que eu percebo hoje é que a censura é maior do que há 20, 30 ou 40 anos. Hoje temos menos liberdade e algumas fotos jamais seriam publicadas. E não é somente a nudez, mas quando você fala de alguma coisa de forma política ou sobre crianças… Muita coisa seria incorreta politicamente e não seria publicada.

NYT: Como você lida com isso como editora?
CR: Sinto que temos que lutar para manter essa atitude politicamente incorreta da Vogue francesa, mas está cada vez mais difícil de fazer isso. Você não pode fumar, não pode mostrar os braços, nem mostrar meninas novinhas porque está todo mundo evitando ter problemas com a lei. Tudo que fazemos agora é como andar de salto no gelo, mas continuamos tentando.

NYT: Quando você explica a sua filosofia sobre moda a qualquer um que queira trabalhar na Vogue francesa, o que você diz?
CR: Vogue é um mundo específico. Você é Vogue ou você não é. Há alguns editores e escritores que podem ser muito bons e mesmo assim “não Vogue”. Em primeiro lugar, tem que ter a ideia do luxo. É uma ideia de loucura, beleza porque a maior parte das imagens que nós publicamos um dia estarão em um museu. E tem que ter uma veia cultural porque a mulher francesa não é só interessada em moda. Ela gosta de pintura, livros, filmes e arte. Então é preciso reunir muitas coisas para ser um fotógrafo de Vogue, um jornalista, um stylist ou um leitor de “Vogue”.

NYT: Como você se mantém conectada à moda quando todo mundo a vê online?
CR: Ainda é muito excitante para mim, pois quando vou a um desfile, não olho somente para as roupas. Ouço a música, percebo a atmosfera. Às vezes fico desapontada em um, dois ou três desfiles, e então eu vejo um incrível e minha energia sobe de novo. Talvez eu goste muito das roupas. Eu não as vejo somente como algo para vestir, mas como obras de arte, às vezes.

NYT: Quem você acha, desta geração nova, que tem potencial para ser grande?
CR: Fico muito surpresa com alguém como Alexander Wang. Fico impressionada em como ele é bom com moda, business, relações públicas, com a atitude de suas roupas. E também acho que um jovem chamado Joseph Altuzarra é “the next big thing”. Ele faz roupas lindas e usáveis.

NYT: O que te irrita na moda hoje?
CR: De vez em quando eu penso: por que eu tenho que ir a um desfile? Meia-hora dirigindo, meia-hora esperando e meia-hora para voltar. E quando eu volto, vejo o desfile na internet. Gosto da ideia do que Tom Ford fez em Nova York. Ninguém viu uma roupa exceto as 100 pessoas que eram os convidados. Foi esperto porque causou inveja. É muito fácil que a Prada faz uma coleção e duas horas mais tarde está na internet para todo mundo copiar. É tudo muito rápido, mas nós não podemos fazer nada.

NYT: Quais são seus próximos planos?
CR: Estou cheia de ideias e quero fazer mais festas e shows para o público. Quero deixar a moda de Paris mais festiva. Essa semana fizemos o Vogue bar no hotel Crillon, onde mudamos a decoração, o menu, as fotos na parede… E os drinks ganharam nomes de pessoas. O meu é o Testarossa, feito com Campari e vodka, para voar bem alto, bem longe e bem rápido! Temos o Dirty Martini do Stephen Gan, delicioso! E o Apple Martini do Tom Ford. Agora tenho uma nova profissão: bartender! É o meu sonho e também o de abrir um karaoke.

Fonte: O Blog da Cami 

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